573 redes celulares privativas em operação ou implantação no Brasil, 20% a mais do que um ano antes. Fonte: Mapa de Redes Celulares Privativas no Brasil, Mobile Time, agosto de 2026.

Fazendas, refinarias, fábricas, terminais portuários e até autódromos já operam suas próprias redes 4G e 5G no país. Em propostas, editais e buscas, essas redes aparecem ora como redes privativas, ora como redes privadas. A palavra escolhida não altera nada na Anatel; o que altera o projeto e o processo é outra decisão, tratada mais adiante.

Onde as redes privativas já trabalham bem

O mesmo levantamento estima cerca de 2.500 ERBs e 89 mil dispositivos com SIM conectados a essas redes, distribuídos por setores bem diferentes.

Agronegócio

Lidera com 28% do total, a maioria em 4G na faixa de 700 MHz pela cobertura mais ampla. Uma novidade são redes para a pecuária, usadas no rastreamento do gado.

Óleo e gás

Segundo setor, em plataformas e refinarias, a rede privativa leva voz, dados e sensores a áreas onde a cobertura pública não chega. a Petrobras concentra 42 redes 4G entre plantas onshore e offshore.

Indústria e energia

No setor elétrico, Copel e CPFL estão entre os maiores projetos recentes. A Nestlé opera em Caçapava (SP) uma rede 5G standalone 100% on premises, separada da rede pública, e a Gerdau conecta máquinas e sistemas em Ouro Branco (MG).

Eventos e transmissões

A Globo usa 5G privativo na cobertura de Carnaval, festivais e futebol, e a Stock Car monta e desmonta uma rede a cada etapa, em autódromos diferentes.

O que esses casos têm em comum é o controle: cobertura onde a operação precisa, capacidade reservada para as aplicações da empresa e dados circulando dentro do perímetro definido no projeto.

Rede privativa ou rede privada, o termo muda alguma coisa?

Do ponto de vista regulatório, não. A própria Anatel utiliza as expressões “redes privadas” e “redes privativas” em diferentes publicações. Do ponto de vista regulatório, o termo, por si só, não determina o enquadramento: o que importa é o serviço prestado e o modelo de uso do espectro.

“Privativa” aparece com mais frequência na comunicação da Anatel e na imprensa especializada; “privada” é comum em traduções de private network. Um cuidado prático: em TI, “rede privada” também nomeia VPNs e redes locais corporativas, então escrever “rede celular privativa 4G/5G” em propostas e editais evita leituras erradas do escopo.

O que muda o projeto e o processo Anatel é o modelo de espectro

A decisão que pesa é de quem será a faixa de frequência, e há dois caminhos principais.

Espectro autorizado, via SLP. A organização que vai usar a rede torna-se titular da outorga e da autorização de uso de radiofrequência. O processo segue quatro etapas:

1
Outorga do SLP
Pedido de autorização do serviço de interesse restrito, pelo SEI da Anatel.
2
Radiofrequência
Autorização de uso por área de cobertura, no sistema Mosaico, em caráter secundário.
3
Licenciamento
Cadastro das estações no Mosaico, conforme o Regulamento Geral de Licenciamento.
4
Operação
Rede ativa com equipamentos homologados e dentro das condições técnicas da faixa.

Espectro de operadora. A rede é implantada com faixas licenciadas de uma operadora, que mantém a titularidade e conduz o processo regulatório. A empresa contrata a solução e define os requisitos de cobertura, capacidade e localização do núcleo e dos dados.

No projeto, o modelo define a faixa, e a faixa define o alcance de cada célula, a quantidade de sites, os equipamentos compatíveis e a coordenação com vizinhos. Uma rede de fazenda abaixo de 1 GHz e uma rede de chão de fábrica em 3,7 GHz são projetos bem diferentes, mesmo com o mesmo nome no contrato.

Condições técnicas do SLP. O Ato nº 915/2024 da Anatel atualizou os requisitos dessas faixas, com condições de potência, largura de faixa, antenas direcionais ou setoriais e coordenação prévia com sistemas autorizados na mesma área ou em áreas adjacentes. As faixas são recortes específicos, como 2.390 a 2.400 MHz, e não bandas inteiras; em 3.700 a 3.800 MHz, a operação é de baixa potência, em caráter secundário, indoor ou com cobertura externa limitada. Como serviço de interesse restrito, o SLP não se destina à oferta indiscriminada de serviço móvel ao público em geral. (Quando o modelo inclui a prestação de SMP à população, é necessário avaliar o enquadramento e as autorizações aplicáveis; a operação por rede virtual (MVNO) é uma das alternativas possíveis.)

IA Física e o lugar onde a rede processa os dados

A IA Física, formada por sistemas que percebem o ambiente, raciocinam e agem por meio de robôs, sensores e veículos, está entre as aplicações que mais dependem dessas escolhas. Robôs móveis autônomos, inspeção visual de qualidade e braços guiados por visão 3D enviam vídeo e dados de sensores de forma contínua. Para eles, contam a previsibilidade da latência e a capacidade de uplink, não o nome da rede.

A pergunta útil no projeto é onde ficam o núcleo e o processamento. O Baicells HaloB embarca o núcleo da rede na própria eNodeB, ativado por licença de software, e o local breakout mantém no site o tráfego que segue para o servidor de inferência. Assim, o registro e a comunicação dos robôs não dependem de enlace até um núcleo remoto, desde que rádio, núcleo, rede local e aplicação sigam operando; a ativação de um SIM novo ainda consulta o BOSS.

Privativa ou privada, o nome pode seguir o costume de quem escreve a proposta. O que precisa ficar claro desde o início é o modelo de espectro, a faixa e onde ficam o núcleo e os dados, porque são essas escolhas que definem o projeto e o caminho na Anatel.

A Telesys apoia integradores na escolha do modelo de espectro, no dimensionamento da rede e na documentação para a Anatel.

A Telesys fornece no Brasil, com mais de 30 anos de trajetória, equipamentos small cells eNodeB e gNodeB Baicells, soluções de backhaul Mimosa e infraestrutura completa para redes privativas, trabalhando com integradores especializados:

  • Portfólio completo: eNodeBs, gNodeBs, backhaul, core network, antenas, acessórios
  • Suporte técnico: Dimensionamento de projeto, cálculo de link budget
  • Assistência regulatória: Orientação sobre processo Anatel e documentação técnica
  • Capacitação: Treinamentos para equipe técnica em implementação e otimização
  • Estoque nacional: Disponibilidade imediata
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