A primeira visita técnica define boa parte do que vai acontecer com um projeto de redes privativas. É nela que o integrador descobre se a área é aberta ou cheia de estruturas metálicas, onde dá para instalar a estação, quantos dispositivos vão se conectar e quais faixas fazem sentido. Funciona como medir o ambiente antes de comprar o móvel: uma proposta montada sem essas medidas tende a voltar para revisão. A seguir, um checklist para levar a campo, as faixas disponíveis para redes privadas no Brasil e um jeito de explicar o link budget ao cliente.
Checklist da primeira visita técnica
O terreno e o ambiente
- Área a cobrir. Polígono em mapa ou arquivo KML, separando o que é interno, externo e eventual subsolo.
- Obstáculos. Estruturas metálicas, paredes de concreto, relevo, vegetação alta como cana e eucalipto, máquinas grandes que mudam de lugar.
- Pontos altos. Torres, caixas d'água, silos e telhados, com altura aproximada, energia disponível e acesso para manutenção.
O que vai se conectar
- Inventário de dispositivos. Quantidade e tipo: sensores, câmeras, tablets, coletores, máquinas agrícolas, robôs móveis. Câmeras e sistemas de IA Física enviam mais do que recebem e pesam no uplink.
- Mobilidade e tempo de resposta. O que se move durante a operação e o que exige latência baixa e previsível.
- Bandas dos terminais. Quais bandas os módulos e terminais existentes ou previstos suportam. A faixa do projeto precisa coincidir com elas.
- Crescimento. Quantos dispositivos devem entrar nos próximos anos e se há intenção de migrar para 5G.
O que já existe
- Infraestrutura. Fibra, rede local, energia e espaço para o núcleo e o servidor. Se a estação ficar longe dessa sala, anotar distância e visada para um enlace de backhaul, como os da linha Mimosa.
- Vizinhança de espectro. Verificar redes e estações existentes na região, identificando as exigências de coordenação e coexistência aplicáveis à faixa escolhida, inclusive eventuais estações terrenas de satélite.
- Titularidade e dados. Quem será titular da autorização, SLP próprio ou espectro de operadora, e onde os dados precisam ficar.
As faixas disponíveis para redes privadas e para que serve cada uma
A regra geral é que faixas mais baixas cobrem distâncias maiores e atravessam melhor obstáculos, enquanto faixas mais altas oferecem mais capacidade em áreas menores.
| Faixa | Perfil | Onde costuma fazer sentido |
|---|---|---|
| 250 MHz | Longo alcance, canais estreitos. | Já usada por utilities.A faixa de 250 a 322 MHz foi destinada à TV 3.0. Na transição, sistemas SLP previamente autorizados entre 250 e 268,75 MHz podem continuar operando até o fim das outorgas, sob condições específicas de coexistência. Novos licenciamentos nessa subfaixa são possíveis excepcionalmente, conforme a regulamentação aplicável. |
| 410 a 415 e 420 a 425 MHz | Banda 87 do 3GPP, LTE com longo alcance. | Preferência para utilities de energia, água e gás. |
| 450 MHz | Banda 31, longo alcance, ecossistema voltado a redes privativas e NB-IoT. | Faixa de interesse para redes privativas do setor elétrico. Em 2026, a Anatel retirou os 450 MHz do planejamento de leilões de espectro para serviços móveis, mantendo as regras aplicáveis ao uso por redes privativas. |
| 703 a 708 e 758 a 763 MHz | Bloco de 5+5 MHz na banda 28, a mesma usada pelas operadoras em 700 MHz, o que amplia a oferta de terminais. | Fazendas, áreas extensas e cobertura externa. |
| 1.487 a 1.517 MHz | 30 MHz com prioridade para SLP, sem restrição geográfica. | Pensada pela Anatel para IoT industrial em mineração e petróleo. Vale confirmar a oferta de terminais antes de definir. |
| 2.390 a 2.400 e 2.485 a 2.495 MHz | Dois recortes de 10 MHz, alcance intermediário. | Áreas menores e ambientes internos. |
| 3.700 a 3.800 MHz | 100 MHz, baixa potência, caráter secundário. | Fábricas e galpões, com estações internas ou cobertura externa limitada. Exige verificar estações terrenas de satélite no entorno. |
| 27,5 a 27,9 GHz | Ondas milimétricas, capacidade alta e alcance curto. | Aplicações pontuais em plantas industriais, com visada entre estação e terminal. |
Link Budget Explicado Para Quem Vai Apresentar ao Cliente
O link budget é a conta que diz se o sinal chega a cada ponto da área com folga suficiente. Na reunião, ajuda compará-lo a verificar se a mangueira chega até o fundo do terreno antes de comprá-la: não basta a água sair com força da torneira, ela precisa chegar lá no fundo com pressão. A conta tem quatro partes.
O que sai
Potência da estação somada ao ganho da antena.
O que se perde
Distância, frequência, paredes, vegetação, cabos e conectores.
O que precisa chegar
A sensibilidade do receptor, o mínimo que ele consegue interpretar.
A folga
A margem que sobra para variações do ambiente ao longo do tempo.
Os números da primeira e da terceira parte vêm dos datasheets. No de uma eNodeB Baicells como a Nova430i, potência por porta, ganho da antena integrada e sensibilidade do receptor aparecem entre as especificações. A segunda parte é onde entram os dados da visita técnica, e é por isso que o checklist vem antes da conta.
A frequência pesa muito nessa segunda parte. Só por ela, em espaço livre, um sinal em 3,75 GHz perde cerca de 14,6 dB a mais que em 700 MHz na mesma distância, e cada 6 dB a mais de perda corresponde a reduzir o alcance à metade. Esse efeito ajuda a explicar por que fazendas usam faixas abaixo de 1 GHz e fábricas aceitam faixas mais altas em troca de capacidade.
A conta também precisa ser feita no sentido contrário. A estação transmite com mais potência e antenas maiores, enquanto um terminal LTE comum transmite com até 23 dBm, cerca de 200 mW. Por isso, em muitos projetos, o limite da cobertura está no uplink: o sensor ou a câmera recebe bem o sinal da estação, mas não consegue responder com a mesma folga.
Para o cliente, o resultado cabe em três frases: onde a cobertura chega com folga, onde chega no limite e onde não chega. Um mapa de predição com essas três cores costuma render uma conversa mais produtiva do que a planilha, e deixa claro onde vale prever uma estação a mais.
A Telesys apoia integradores no dimensionamento, no cálculo de link budget e na escolha da faixa antes de a proposta chegar ao cliente.
A Telesys fornece no Brasil, com mais de 30 anos de trajetória, equipamentos small cells eNodeB e gNodeB Baicells, soluções de backhaul Mimosa e infraestrutura completa para redes privativas, trabalhando com integradores especializados:
- Portfólio completo: eNodeBs, gNodeBs, backhaul, core network, antenas, acessórios
- Suporte técnico: Dimensionamento de projeto, cálculo de link budget
- Assistência regulatória: Orientação sobre processo Anatel e documentação técnica
- Capacitação: Treinamentos para equipe técnica em implementação e otimização
- Estoque nacional: Disponibilidade imediata