Uma usina solar é, na prática, uma rede de sensores espalhada por um grande terreno aberto: inversores, trackers e estações solarimétricas precisam conseguir reportar dados continuamente para garantir o monitoramento da operação. Quando uma empresa passa a operar não uma, mas dezenas de usinas em municípios diferentes, essa comunicação constante deixa de ser um detalhe técnico e vira o próprio negócio.
Um Setor Que Está Multiplicando o Número de Ativos
Em 2025, 63 novas centrais solares fotovoltaicas entraram em operação no Brasil, somando 2.815,84 MW de potência, dentro de um total de 136 usinas de diferentes fontes conectadas naquele ano. A geração distribuída seguiu o mesmo ritmo: em fevereiro de 2026, o país já somava 44,1 GW de potência instalada nessa modalidade, presente na maioria dos municípios brasileiros. Para uma empresa de operação e manutenção (O&M) ou um gestor de ativos que atende múltiplos clientes, isso significa um portfólio crescente de usinas espalhadas por regiões diferentes, cada uma com sua própria necessidade de conectividade confiável.
O Que Uma Usina Precisa Comunicar o Tempo Todo
Inversores reportam status de operação, geração instantânea e códigos de falha. Trackers de eixo único, precisam informar desvios de posicionamento em relação à trajetória do sol, já que um tracker desalinhado gera menos energia sem que isso seja visível a olho nu. Estações solarimétricas medem irradiância para calcular a performance esperada da usina, string boxes e combiner boxes com monitoramento reportam dados de desempenho dos arranjos de painéis, e a subestação precisa de monitoramento próprio. A isso se soma, em muitos projetos, câmeras de segurança perimetral,já que módulos fotovoltaicos e cabeamento de cobre em áreas afastadas estão mais sujeitos a ocorrências de furto.
Por Que Wi-Fi e Redes Públicas Podem Não Ser Suficientes em Escala
Em algumas usinas, a conectividade pode depender de Wi-Fi para levar os dados dos equipamentos até o ponto de acesso à internet. O problema aparece quando um operador gerencia dezenas de usinas ao mesmo tempo: terrenos solares costumam ficar em áreas rurais, escolhidas pelo baixo custo da terra, onde a cobertura de rede pública pode ser irregular e, em muitos casos não oferece os níveis de disponibilidade, cobertura ou previsibilidade exigidos pela operação da usina. Uma rede privativa, estruturada no âmbito do Serviço Limitado Privado (SLP), permite ao operador ter maior controle sobre a conectividade da usina, reduzindo a dependência das redes públicas e definindo parâmetros próprios de cobertura, disponibilidade e segurança.
Onde Entram Baicells e Mimosa Nesse Tipo de Projeto
Fisicamente, uma usina solar de grande porte é um terreno amplo, plano e aberto, características que favorecem eNodeBs outdoor de alta potência e cobertura estendida. O Nova246 da Baicells, com 2x20W de saída e suporte a até 96 usuários simultâneos por portadora, é um eNodeB outdoor que pode ser utilizado em cenários de cobertura ampla, como áreas industriais, rurais e de infraestrutura distribuída, como acontece entre fileiras de painéis e trackers distribuídos por grandes áreas, inclusive em usinas que ocupam centenas de hectares.
Quando o operador gerencia várias usinas em municípios diferentes, cada site com sua própria rede local, o desafio seguinte é levar esses dados até o centro de operação onde a equipe acompanha o portfólio inteiro. Como a maioria desses terrenos não tem fibra óptica por perto, o backhaul sem fio assume esse papel: o Mimosa B5, em 5 GHz não licenciado, atende bem ligações mais curtas entre uma usina e o ponto de agregação mais próximo, enquanto o Mimosa B11, em espectro licenciado de 11 GHz, sustenta enlaces de longa distância com baixa latência, podendo ficar abaixo de 1 milissegundo em determinadas condições de operação, o que importa quando dados de falha de inversor precisam chegar ao operador sem atraso perceptível.
Duas Formas de Resolver o Mesmo Problema
O setor elétrico brasileiro já mostra sinais desse movimento. A AXIA Energia está implantando infraestrutura de conectividade 4G e 5G em 20 usinas hidrelétricas da companhia (em parceria com TIM), com investimento de R$ 18 milhões até o final de 2026. O projeto inclui a expansão da cobertura 4G e a implantação de redes 5G privativas, além de preparar a operação para aplicações como sensores de IoT, drones conectados e controle remoto de equipamentos É um exemplo de portfólio de geração assumindo conectividade dedicada como parte da operação, mesmo sendo hidrelétrica e não solar.
Esse tipo de projeto costuma seguir um de dois caminhos : contratar uma operadora para construir e operar a rede como serviço, ou adquirir o equipamento e operar a rede privativa com equipe própria ou de um integrador local. A segunda opção costuma pesar mais no orçamento inicial, mas pode reduzir a dependência de mensalidades recorrentes por site e deixa o operador com maior controle sobre a expansão do portfólio, um fator relevante para quem pretende seguir adicionando usinas nos próximos anos.
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